Educação: arma contra a corrupção
A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só
ela tem força de mudança, força de renovação. É indispensável haver
investimentos sociais, mudar a realidade educacional existente, se queremos, de
verdade, construir um País sério. Educação tem que ser prioridade; ela é a mola
propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem como
ser humano, como ser empreendedor da economia, como ser beneficiário e
benfeitor da sociedade.
Empobrecida como anda, mais caminha para a morte do
cisne! A defasagem educacional gera, no curso do tempo, insegurança, exclusão
social e marginalização. Descamba para o oportunismo, para a esperteza viciada
e daí para a corrupção é só um passo. E o pior é que ela vem em cascata,
contamina todos os níveis.
São inimagináveis os rumos que toma a corrupção, as
situações por onde se infiltra! Ela chegou num grau extremo de aceitação,
transvestindo-se das mais variadas faces. Hoje, constatamos a compra de
trabalhos acadêmicos, denegrindo a ética universitária. Alunos compram resenhas
de livros, monografias e até teses de doutorado, feitas por profissionais
especializados! Corruptos e corruptores!
Se a educação, no seu bojo, deteriora-se, o que
aguardar do futuro da humanidade? Onde procurar a ética, os princípios humanos
e morais? Vejamos um exemplo: os cursos supletivos particulares à distância
revelaram-se pontos de corrupção. A cortina descerrada, desses cursos, mostrou
um quadro desalentador, revoltante, dessa área educacional. Esses cursos
tornaram-se uma farsa, verdadeiros antros de venda de certificados!
Alunos despreparados ou acorrentados por horários,
em decorrência do trabalho, quando continuam os estudos, geralmente o fazem
através dos cursos supletivos. Hoje, esses cursos têm um enorme contingente de
alunos que recebem o certificado sem aprender nada. Os supletivos à distância
ou com presença flexível proliferaram-se nos últimos anos.
Pelo Censo 2000 do Ministério da Educação, em São
Paulo, existem mais de 515 mil alunos em cursos supletivos de escolas
estaduais, onde há presença mínima de aula. Na rede privada, são quase 116 mil,
entre cursos presenciais e a distância.
O descrédito dos supletivos particulares a
distância chegou a tal ponto que o Conselho Estadual de Educação (CEE) achou
por bem cercear a emissão dos certificados, acabando com o sistema atual. “É
preciso dar um basta à farra dos cursos supletivos particulares à distância;
moralizar o sistema” expressou o seu presidente.
O Conselho publicou no Diário Oficial do Estado,
dia 25 de abril p. p., decisão proibindo os cursos supletivos particulares à
distância de realizarem provas para emitir certificados de conclusão do ensino
médio. Se quiser ter um diploma, o aluno precisará prestar uma prova
autorizada.
Todas as pessoas que se matricularem, a partir
desta data, deverão ser submetidas a exames em instituição autorizada pelo
Conselho. Quem já iniciou o curso está isento da determinação. O presidente do
CEE, Artur Fonseca Filho, disse que o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, é
um dos mais cotados para ser uma das avaliações necessárias para obtenção do
diploma. “O modelo ideal é este em que a prova é feita por uma entidade
diferente da que deu o curso”, arremata Artur Fonseca.
O que se quer são cursos que ofereçam competência e
não certificados. É uma tentativa para melhorar a qualidade de ensino desses
cursos, acabar com o esquema de facilitação de diplomas. As instituições sérias
não temerão o novo processo, ou seja, o resultado do exame autorizado. Mas,
para a maioria desses cursos à distância, a perda da autonomia trará, sem
dúvida, um desaquecimento de sua frequência. Nesses cursos supletivos a jato, o
aluno acima de 15 anos podia, num tempo mínimo, obter um certificado de 1.º e
2.º graus em 90 dias. Quanto aos exames, esses eram marcados em horários
flexíveis, feitos separadamente para cada matéria e os prazos eram determinados
pelas escolas.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das
provas a fornecer certificados aos supletivos, ocorre, apenas, uma vez por ano.
Além dele, serão indicadas, pelo Conselho, as instituições, privadas ou
públicas, autorizadas a realizar as provas. Terá que haver uma adequação, por
parte do aluno, a essas exigências e uma reestruturação dos cursos.
A perda de autonomia, de os cursos supletivos
particulares à distância realizarem as provas, põe ordem nesse universo
adulterado, afasta a bandalheira e com esta ausência acaba afastando,
infelizmente, também os candidatos. Esses cursos tinham, na facilitação ou,
praticamente, na venda dos certificados, a sua maior atração.
A educação deformando ao invés de formar,
corrompendo ao invés de moralizar, contribuindo para uma sociedade trapaceira,
injusta, corrupta. Estaremos vivendo o caos? Os cursos supletivos, que poderiam
ser o grande alvo na educação de jovens e de adultos, perdem, no desvirtuamento
das funções, a grande finalidade a que deveria se propor. É a sombra sinistra da
corrupção infiltrando-se em todos os setores da vida nacional! Proteja-nos,
Deus!
Izabel Sadalla Grispino Supervisora de ensino
aposentada.
(Publicado em junho/2001)-http://www.izabelsadallagrispino.com.br